Cleo Pires expõe batalha emocional e faz declaração chocante
Especialista analisa os mecanismos emocionais criados ao longo da vida e explica por que cada vez mais mulheres buscam abandonar padrões impostos para viver de forma mais verdadeira

Uma declaração recente de Cleo Pires sobre sua trajetória na terapia voltou a provocar reflexões sobre autoconhecimento, identidade e os desafios enfrentados por muitas mulheres ao longo da vida. Durante uma entrevista, a atriz compartilhou detalhes de sua experiência com o processo terapêutico e revelou como essa jornada foi fundamental para compreender melhor seus sentimentos e encontrar uma versão mais autêntica de si mesma.
Segundo Cleo, a decisão de iniciar a terapia aconteceu ainda na adolescência, quando ela percebeu que carregava questões emocionais que não conseguia compreender ou elaborar sozinha. A atriz explicou que algumas sensações e inquietações a acompanhavam desde a infância, influenciando sua forma de enxergar o mundo e de lidar com as próprias emoções.
“Comecei a fazer terapia porque, desde criança, tinha coisas que me acompanhavam, nos meus sentimentos, na minha forma de ver o mundo. E eu sentia que não conseguia acessar essas coisas, não conseguia elaborá-las”, relatou.
Ao longo da conversa, Cleo também abordou o preço emocional que muitas vezes acompanha a escolha de viver de acordo com a própria essência. Para ela, existe uma dor inevitável nesse processo, seja ao assumir quem realmente se é ou ao tentar corresponder às expectativas dos outros.
“Não tem como não haver dor. Ou você tem a dor de ser você mesma – porque as pessoas vão querer que você seja outra coisa -, ou você tem a dor de ser outra coisa. Eu escolho a dor de ser eu. O resto é problema das outras pessoas”, concluiu a atriz.
As reflexões da artista serviram como ponto de partida para uma análise mais ampla sobre os mecanismos emocionais desenvolvidos por mulheres ao longo da vida. Para Renata Fornari, especialista em autoamor e autodesenvolvimento, muitas pessoas chegam à fase adulta carregando comportamentos e estratégias que foram importantes em determinado momento, mas que acabam se transformando em obstáculos para uma vida mais plena.
Segundo ela, desde a infância cada indivíduo aprende maneiras de lidar com medos, inseguranças, rejeições e frustrações. Embora esses mecanismos tenham surgido como formas de proteção emocional, eles podem permanecer ativos por anos e influenciar decisões, relacionamentos e projetos pessoais.
“Quando somos crianças, criamos recursos emocionais para lidar com aquilo que sentimos. Algumas aprendem a controlar tudo para não se decepcionar. Outras se tornam invisíveis para evitar rejeição. Há quem transforme a independência em proteção e quem interrompa os próprios sonhos antes de correr o risco de fracassar. Tudo isso faz sentido dentro de uma história. O problema surge quando essas estratégias passam a comandar a vida inteira”, afirma.
Renata destaca que muitas dessas características acabam sendo confundidas com traços permanentes da personalidade. Mulheres que se consideram excessivamente controladoras, por exemplo, podem estar apenas reproduzindo um mecanismo criado anos antes para lidar com situações difíceis. O mesmo vale para quem evita demonstrar vulnerabilidade, tem dificuldade em pedir ajuda ou abandona objetivos importantes por medo de falhar.
“Nenhuma mulher nasceu para viver aprisionada em personagens. Essas versões surgiram porque foram necessárias em algum momento. Elas ajudaram a sobreviver. Mas existe uma diferença enorme entre sobreviver e viver”.
Na visão da especialista, o crescente interesse por terapia, inteligência emocional e autoconhecimento reflete uma mudança importante na forma como as mulheres têm revisitado suas próprias histórias. Ela observa que muitas passaram décadas tentando corresponder a expectativas externas e agora começam a questionar essas exigências.
“Durante muito tempo, muitas mulheres foram ensinadas a serem fortes, eficientes, disponíveis e agradáveis. Hoje existe um movimento silencioso de mulheres que estão questionando essas exigências. Elas não querem apenas funcionar bem. Querem viver com mais verdade”.
Apesar de concordar com boa parte da reflexão apresentada por Cleo, Renata faz uma observação importante sobre a relação entre autenticidade e sofrimento. Para ela, a dor não está necessariamente em assumir quem se é, mas em passar anos tentando se encaixar em papéis que não refletem a verdadeira identidade da pessoa.
“Eu entendo o que a Cleo quis dizer, porque realmente existe sofrimento quando uma pessoa decide deixar de atender expectativas externas. Mas, na minha visão, a dor está justamente no movimento contrário: quando você passa anos tentando ser quem não é para conquistar aprovação, começando muitas vezes dentro da própria casa. É um esforço constante para descobrir o que esperam de você, como deve agir e quem precisa se tornar para ser aceita. O processo terapêutico ajuda justamente a libertar a mulher dessa prisão. Quando ela se permite ser quem veio ser, encontra mais leveza, verdade e paz consigo mesma. A autenticidade não é o problema, é a solução, e quando ela acontece, não existe mais dor”.
A especialista também chama atenção para a maneira como o conceito de autoamor costuma ser interpretado atualmente. Segundo ela, o tema vai muito além de frases motivacionais ou mensagens de autoestima compartilhadas nas redes sociais.
“Autoamor é ter coragem para olhar para si sem máscaras. É reconhecer os lugares onde você se abandonou para atender expectativas externas. É voltar a ocupar a própria vida”.
Para Renata, uma transformação silenciosa está acontecendo entre muitas mulheres que já não desejam sustentar versões de si mesmas construídas apenas para agradar outras pessoas. Ela acredita que existe um movimento crescente de questionamento sobre cobranças sociais, excesso de responsabilidades e padrões que foram impostos ao longo dos anos.
“Existe uma geração inteira de mulheres cansadas de sustentar versões de si mesmas que já não representam quem elas são. Cansadas de provar valor, de carregar responsabilidades excessivas e de corresponder a expectativas que nunca escolheram. Talvez uma das mudanças mais importantes deste tempo seja justamente essa disposição de deixar algumas armaduras para trás”.
Na avaliação da especialista, tornar-se protagonista da própria história não significa eliminar medos, fragilidades ou inseguranças. O verdadeiro crescimento acontece quando a pessoa conquista a liberdade de fazer escolhas alinhadas com seus valores e sua essência.
“Você não precisa mais ser forte o tempo inteiro. Não precisa carregar tudo sozinha. Em muitos casos, o maior ato de coragem não está em continuar se protegendo. Está em permitir que as armaduras caiam”.
Ao concluir sua análise, Renata reforça que os mecanismos de defesa construídos ao longo da vida cumpriram um papel importante, mas não precisam definir o futuro de ninguém.
“As armaduras cumpriram sua função. Elas ajudaram você a chegar até aqui. Mas a mulher que você veio ser não precisa passar a vida sobrevivendo. Ela está pronta para viver”.
As reflexões levantadas por Cleo e pela especialista evidenciam uma discussão cada vez mais presente na sociedade contemporânea: a busca por autenticidade, equilíbrio emocional e liberdade para construir uma vida baseada não nas expectativas alheias, mas naquilo que faz sentido para cada pessoa.
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