O que aconteceu com Estevão Ciavatta? Acidente deixou marido de Regina Casé tetraplégico

Cineasta passou por momentos dramáticos após ser arremessado de um cavalo, enfrentou prognósticos desanimadores e levou anos para recuperar movimentos e superar limitações

Regina Casé e Estêvão Ciavatta à época do acidente, em 2008 e em foto recente (Reprodução/Instagram)
Regina Casé e Estêvão Ciavatta à época do acidente, em 2008 e em foto recente (Reprodução/Instagram)

A história de superação vivida por Estevão Ciavatta, marido de Regina Casé, voltou a ganhar destaque após a apresentadora comentar os bastidores do documentário No Passo da Cobra, produção que revisita um dos momentos mais difíceis da vida do cineasta. O projeto, que ainda está em fase de produção, aborda o grave acidente sofrido por ele em 2008 e toda a longa jornada de recuperação que se seguiu nos anos seguintes.

Segundo Regina, reviver os acontecimentos durante as gravações foi um processo extremamente emocionante para toda a família. O cineasta, inclusive, aceitou reproduzir cenas do acidente para o documentário, algo que exigiu coragem e força emocional.

“Nossa, uma choradeira, uma barra. Estevão é muito corajoso, porque ele até fez cenas… ele reproduziu, fez a reconstituição do momento em que caiu”, contou ela durante participação no videocast Conversa Vai, Conversa Vem.

O acidente que mudou sua vida

O episódio aconteceu em 10 de novembro de 2008, durante um passeio a cavalo. Em determinado momento, o animal começou a dar pinotes e acabou arremessando Estevão ao chão. A queda foi extremamente violenta e o impacto atingiu diretamente a região da nuca.

A consequência foi uma grave lesão na coluna cervical, responsável por deixá-lo tetraplégico. O próprio cineasta relembrou anos depois o desespero vivido nos instantes seguintes ao acidente.

“No primeiro momento foi tipo ‘Ah, caí, vou me levantar…’. ‘Caraca. Não estou mexendo nada'”, relatou em entrevista ao Fantástico.

Mesmo diante do choque, ele teve a lucidez de orientar as pessoas que estavam próximas para que ninguém tentasse movê-lo até a chegada da equipe de resgate. A decisão acabou sendo fundamental para evitar que a lesão se agravasse ainda mais.

Corrida contra o tempo

Após o atendimento inicial, Estevão foi levado às pressas para uma unidade hospitalar, onde precisou passar por uma cirurgia de emergência. O objetivo do procedimento era reduzir a compressão sobre a medula espinhal e estabilizar a coluna vertebral.

Segundo os médicos que o acompanharam, o tempo foi um fator decisivo. Qualquer atraso poderia resultar em danos ainda mais severos e permanentes.

Depois da operação, o cineasta permaneceu internado por 17 dias. Ao deixar o hospital, iniciou uma fase extremamente delicada de recuperação. Durante meses, os movimentos eram bastante limitados, e ele dependia da ajuda de outras pessoas para realizar tarefas simples do cotidiano.

Nos primeiros seis meses após o acidente, conseguia movimentar apenas parcialmente os ombros e as pernas. Atividades básicas, que antes pareciam automáticas, passaram a exigir esforço, paciência e adaptação.

Prognósticos difíceis e a fé de Regina Casé

Ao longo da recuperação, Regina Casé ouviu inúmeras avaliações médicas pouco animadoras sobre o futuro do marido. Muitos especialistas apontavam limitações permanentes e dificuldades que ele enfrentaria pelo resto da vida.

A atriz, no entanto, preferiu não transformar aquelas previsões em sentenças definitivas. Em vez disso, escolheu acreditar na possibilidade de evolução gradual.

“Não vai andar, não vai andar de bicicleta, não vai subir a Pedra da Gávea… Todos os ‘nãos’ eu duvidei”, declarou ao Fantástico.

A postura otimista da apresentadora se somou à determinação de Estevão, que passou a encarar cada pequena conquista como uma vitória.

Anos de fisioterapia e dedicação

A recuperação não aconteceu da noite para o dia. Foram necessários anos de tratamento intensivo, exercícios constantes e muita disciplina. A rotina incluía cerca de cinco horas diárias de fisioterapia, além de outros acompanhamentos voltados para a reabilitação física.

Mais do que recuperar movimentos, o cineasta precisou reconstruir sua confiança e aprender a lidar com um corpo que passou a responder de forma completamente diferente após o acidente.

Cada avanço exigia persistência. Movimentos considerados simples precisavam ser reaprendidos, enquanto limitações físicas impunham desafios diários.

O papel transformador da paternidade

Em meio ao processo de recuperação, um acontecimento trouxe nova motivação para Estevão: o nascimento de Roque, filho do casal.

A chegada do menino se tornou um incentivo poderoso para continuar avançando na reabilitação. O cineasta transformou os cuidados com o bebê em um objetivo pessoal e em uma ferramenta de recuperação.

“Eu tinha que poder segurar ele no colo, eu tinha que poder trocar a fralda dele, mesmo que a minha mão não funcionasse direito.”

O desejo de participar ativamente da criação do filho serviu como combustível para enfrentar os desafios físicos e emocionais impostos pelo acidente.

A conquista que parecia impossível

Passados 17 anos da queda, Estevão alcançou um objetivo que muitos consideravam improvável. Em 2026, ele conseguiu escalar a Pedra da Gávea, um dos cartões-postais mais conhecidos do Rio de Janeiro.

A conquista simbolizou não apenas uma vitória física, mas também emocional. A escalada foi realizada seguindo a filosofia do chamado “passo da cobra”, conceito que inspira o documentário sobre sua trajetória.

Segundo o cineasta, a ideia consiste em avançar gradualmente, respeitando os limites do corpo e compreendendo que algumas transformações exigem tempo, paciência e perseverança.

A história de Estevão Ciavatta se tornou um exemplo de resiliência, mostrando como uma tragédia capaz de mudar completamente uma vida também pode dar origem a uma das mais impressionantes jornadas de superação.

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