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Deu ruim: governo quer argentinos fora da final da Copa por ação grave

Após atletas segurarem faixa sobre disputa territorial histórica na comemoração da semifinal, autoridades britânicas pressionam a FIFA por suspensões imediatas

Messi na Copa do Mundo
Messi na Copa do Mundo (Reprodução/TV Globo)

Os bastidores da grande final da Copa do Mundo de 2026 ganharam um capítulo tenso de crise diplomática. O governo britânico acionou formalmente a FIFA para investigar uma manifestação política realizada pela seleção da Argentina durante a comemoração da vitória na semifinal. Em uma das cartas enviadas à entidade máxima do futebol, as autoridades britânicas sugeriram que os atletas envolvidos no ato sejam suspensos e fiquem de fora da grande decisão do Mundial.

O estopim da polêmica ocorreu quando jogadores argentinos seguraram e exibiram no gramado uma faixa com a frase histórica de reivindicação territorial: “As Malvinas são argentinas”.

Britânicos exigem punição rigorosa e relembram caso da UEFA

Líderes políticos do Reino Unido subiram o tom contra a atitude da Albiceleste. Ed Davey, líder dos Democratas Liberais (o terceiro maior partido britânico), usou como jurisprudência um caso recente ocorrido na Europa envolvendo os jogadores espanhóis Rodri e Morata, que foram suspensos por um jogo pela UEFA após cantarem em uma comemoração o coro de ‘Gibraltar Espanhol’.

O secretário de Negócios do Reino Unido, Peter Kyle, também se manifestou publicamente sobre o ocorrido. O político classificou o comportamento dos atletas sul-americanos como totalmente inapropriado e exigiu que a FIFA conduza uma investigação completa e rigorosa sobre o episódio antes do apito inicial da finalíssima.

O que diz o regulamento da FIFA e o histórico de punições

O código disciplinar da FIFA é rígido e proíbe terminantemente qualquer tipo de mensagem de natureza política, ideológica, religiosa ou ofensiva dentro dos estádios, prevendo multas que variam de 5.000 a 20.000 dólares. A federação argentina (AFA), inclusive, já é reincidente no tema. Em junho de 2014, dias antes da Copa do Mundo no Brasil, os jogadores exibiram a mesmíssima faixa em um amistoso em Buenos Aires, custando uma multa de 30.000 francos suíços à entidade.

O precedente mais grave de suspensão por ato político semelhante envolveu o sul-coreano Park Jong-woo nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Após vencer o Japão e conquistar a medalha de bronze, o atleta desfilou com a faixa de um torcedor que dizia: “Dokdo é nosso território”.

O ato fazia referência a uma disputa territorial histórica entre Coreia do Sul e Japão. Na ocasião, a FIFA puniu Park Jong-woo com uma suspensão de dois jogos oficiais das eliminatórias para o Mundial seguinte.

Javier Milei minimiza o caso: “Pior dos cenários é uma multa”

O presidente da Argentina, Javier Milei, saiu em defesa dos atletas de seu país, embora tenha ressaltado a importância de tentar separar o ambiente político do esporte. O governante declarou que compreende o forte sentimento nacionalista que ferve no peito dos jogadores.

Milei reforçou que o país pretende recuperar o controle das ilhas, mas garantiu que isso será feito estritamente por vias diplomáticas. Confiante de que a polêmica não tirará nenhum craque da final da Copa, o presidente ironizou a pressão britânica e finalizou dizendo que, no pior dos cenários, a Argentina receberia uma multa de 30 mil dólares.

Deu ruim: governo quer argentinos fora da final da Copa por ação grave - Reprodução/X
Deu ruim: governo quer argentinos fora da final da Copa por ação grave – Reprodução/X

Entenda o contexto histórico e a disputa pelas Ilhas Malvinas

A histórica disputa pelas ilhas explodiu militarmente na Guerra das Malvinas, em abril de 1982, impulsionada por crises internas em ambas as nações. Na época, a ditadura militar argentina enxergou na invasão do arquipélago uma chance de desviar a atenção da crise econômica e inflar o apoio público.

Do outro lado, o Reino Unido, comandado pela primeira-ministra Margaret Thatcher, enfrentava forte recessão e desemprego em alta. Para a “Dama de Ferro”, a resposta militar rápida serviu para reafirmar o poder imperial britânico e salvar sua popularidade. Apesar da proximidade geográfica com a América do Sul, a superioridade bélica inglesa garantiu a rendição argentina em junho daquele mesmo ano.

Para os ingleses, o território ultramarino se chama Ilhas Falklands (com capital em Stanley). Já para os sul-americanos, são as Ilhas Malvinas (com capital chamada Puerto Argentino). O arquipélago está localizado a apenas 550 quilômetros do litoral da Argentina, enquanto mais de 12 mil quilômetros o separam da Inglaterra.

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