Fim de uma era? Mudança nos bastidores da Globo deixa apenas um seleto grupo de atores

Emissora substituiu os tradicionais contratos de longa duração pelo modelo por obra e hoje mantém um grupo muito menor de artistas com vínculo de exclusividade

Arthur Brandão (Antonio Fagundes) em 'Quem Ama Cuida' - Reprodução/Globo
Arthur Brandão (Antonio Fagundes) em 'Quem Ama Cuida' - Reprodução/Globo

De acordo com informações da colunista Carla Bittencourt, do Portal LeoDias, a Globo promoveu uma das maiores mudanças de sua história na área de dramaturgia ao reformular completamente sua política de contratação de atores. Se durante as décadas de 1990 e 2000 a emissora era conhecida por manter um extenso banco de talentos com contratos fixos, atualmente esse cenário é bem diferente. Segundo informações da coluna, o número de artistas com vínculo exclusivo caiu de cerca de 1.500 para aproximadamente 70 profissionais.

A transformação ganhou força em 2021, quando a empresa colocou em prática o projeto Uma Só Globo, iniciativa que unificou diferentes áreas do grupo e deu início a uma ampla reestruturação interna. Entre as principais mudanças esteve a substituição dos tradicionais contratos de longa duração pelo chamado contrato por obra.

Com o novo modelo, a maior parte dos atores é contratada apenas durante o período de gravação de novelas, séries ou programas específicos. Assim que o projeto é concluído, o vínculo com a emissora é encerrado, permitindo que os profissionais negociem livremente novos trabalhos com outras produtoras, plataformas de streaming ou emissoras.

Atores que emendaram projetos

A reformulação também ajuda a explicar por que alguns nomes aparecem repetidamente nas produções da Globo. Como o número de artistas exclusivos foi reduzido de forma significativa, atores como Chay Suede, Cauã Reymond e Agatha Moreira passaram a emendar um projeto no outro. Além disso, por manterem contratos de exclusividade, esses profissionais têm menos liberdade para recusar papéis quando são escalados pela emissora.

O cenário contrasta com o que era visto nos anos 1990, quando a Globo mantinha um dos maiores elencos fixos da televisão brasileira. Na época, centenas de atores permaneciam contratados por longos períodos, recebendo salários mensais independentemente de estarem ou não atuando em produções no ar.

Veteranos

Grandes nomes da dramaturgia, como Antônio Fagundes, Glória Pires, Tony Ramos, Adriana Esteves e Susana Vieira, fizeram parte desse modelo, que durante décadas foi uma das principais características da emissora.

Hoje, os contratos de longo prazo ficaram restritos a um grupo bastante seleto. Entre os artistas que ainda mantêm acordos exclusivos com a Globo – alguns considerados praticamente permanentes – estão Tony Ramos, Susana Vieira, Suely Franco e Ary Fontoura, nomes históricos da dramaturgia da emissora.

A mudança faz parte de uma estratégia para reduzir custos e tornar a operação mais flexível, acompanhando a dinâmica atual do mercado audiovisual, em que produções são desenvolvidas sob demanda e profissionais circulam com maior facilidade entre diferentes empresas.

Com isso, o tradicional banco de elenco, que durante muitos anos foi uma marca registrada da Globo, deu lugar a uma estrutura mais enxuta, baseada em contratos temporários e na necessidade específica de cada produção.

 

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