Com extenso currículo, atriz morre aos 49 anos após luta contra câncer no pâncreas
Artista potiguar teve carreira marcada pelo teatro nordestino e ganhou projeção nacional na televisão em papéis de destaque na Globo

A atriz potiguar Titina Medeiros morreu aos 49 anos, em 11 de janeiro deste ano, após enfrentar um câncer no pâncreas durante aproximadamente seis meses. A informação foi divulgada inicialmente pelo amigo Chrystian de Saboya e posteriormente confirmada ao Splash pelo grupo teatral Candeia, instituição da qual a artista fazia parte como diretora e uma das principais colaboradoras.
O velório de Titina ocorreu no dia seguinte à confirmação da morte, no Teatro Alberto Maranhão, localizado em Natal (RN), cidade onde a atriz construiu grande parte de sua trajetória artística. O horário da cerimônia, no entanto, ainda não havia sido definido no momento do anúncio.
Titina Medeiros nasceu em Currais Novos, no interior do Rio Grande do Norte, e passou parte da infância e adolescência na cidade de Acari, também no estado. Ainda jovem, mudou-se para Natal, onde iniciou sua formação artística e deu os primeiros passos no teatro. Foi na capital potiguar que ela passou a integrar grupos locais, participar de montagens independentes e consolidar sua identidade como atriz, antes de alcançar projeção nacional.
Ao longo dos anos, Titina se tornou uma das figuras mais respeitadas do teatro nordestino, atuando em diferentes companhias e contribuindo para a valorização das artes cênicas na região. Além de atriz, também exerceu funções de criação e gestão cultural, sendo uma das responsáveis pela produtora Casa de Zoé, dedicada ao desenvolvimento de projetos teatrais.
Sua estreia na televisão aconteceu em 2012, quando iniciou sua trajetória em produções da TV Globo. No entanto, o grande reconhecimento do público veio com o papel de Socorro na novela Cheias de Charme. Na trama, ela interpretou a assistente atrapalhada da vilã Chayene, vivida por Cláudia Abreu, personagem que rapidamente caiu no gosto popular e se tornou um dos destaques da novela.
A atuação carismática e bem-humorada fez com que Titina ganhasse grande visibilidade nacional, transformando Socorro em um dos papéis mais lembrados da obra. A personagem acabou se tornando um marco em sua carreira, ampliando suas oportunidades na televisão.
“De repente, apareceu ‘Cheias de Charme’ na minha vida… Novela, uma coisa que eu nunca tinha pensado em fazer. Mas o destino sabe o que faz. Primeiro que fui muito bem acolhida com o personagem que eu acho que é o maior personagem da minha vida. A televisão que me deu, no sentido de poder brincar, de poder mostrar meu trabalho, de uma personagem tão maravilhosa, brasileira, potente”, disse Titina Medeiros, em 2024, ao Splash (UOL).
Trabalhos
Após o sucesso na novela, a atriz passou a integrar outros projetos da emissora, consolidando sua presença na televisão brasileira. Ela participou de produções como Onde Nascem os Fortes, Geração Brasil, A Lei do Amor e Mar do Sertão, novela na qual voltou a ganhar destaque interpretando a personagem Nivalda, reforçando sua versatilidade como atriz.
No teatro, Titina manteve uma atuação constante e intensa, participando de diversas montagens ao longo da carreira. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão peças como Hamlet e Pobres de Marré, além de sua dedicação contínua a projetos culturais no Rio Grande do Norte. Sua atuação fora da televisão foi considerada fundamental para o fortalecimento do teatro potiguar e para a formação de novos artistas na região.
Mais recentemente, seu último trabalho na televisão havia sido na novela No Rancho Fundo, exibida entre 2024 e 2025, na qual retomou a personagem que havia interpretado anteriormente em Mar do Sertão, mantendo a parceria com o ator Welder Rodrigues.
Vida pessoal
Além da carreira artística, Titina também era reconhecida por sua vida pessoal discreta e estável. Era casada com o ator César Ferrario desde 2006, com quem manteve uma relação de longa duração e parceria profissional. O casal chegou a contracenar junto em Cheias de Charme, reforçando a conexão entre vida pessoal e trajetória artística.
A morte da atriz gerou grande comoção entre colegas de profissão, amigos e admiradores, que destacaram sua importância para o teatro nordestino e para a televisão brasileira, além de sua contribuição para a cultura nacional ao longo de décadas de trabalho dedicado às artes cênicas.
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