Copa do Mundo: Conheça a dieta adotada por craques do futebol e seus possíveis impactos

Modelo alimentar baseado em hábitos atribuídos aos ancestrais tem conquistado adeptos no esporte de alto rendimento, porém exige acompanhamento profissional para evitar desequilíbrios nutricionais

Endrick (Reprodução/Divulgação)
Endrick (Reprodução/Divulgação)

A rotina alimentar de atletas de elite costuma despertar curiosidade entre fãs e especialistas, especialmente durante grandes competições internacionais. Um dos nomes que chamou atenção recentemente foi o do meio-campista espanhol Marcos Llorente, titular da seleção da Espanha, que segue a chamada dieta paleolítica e frequentemente compartilha detalhes de sua alimentação nas redes sociais.

Conhecido por sua excelente condição física e desempenho dentro de campo, o jogador adota um cardápio baseado principalmente em proteínas, frutas, vegetais e gorduras naturais. O estilo alimentar, que busca se aproximar dos hábitos atribuídos aos seres humanos da era paleolítica, tem conquistado cada vez mais adeptos entre praticantes de atividade física e atletas profissionais.

Mas, apesar da popularidade crescente, especialistas destacam que a estratégia alimentar exige cautela e não deve ser adotada sem avaliação individualizada. Segundo Camila Crivelli, professora e coordenadora do curso de Nutrição da Estácio, a dieta paleolítica possui características bastante específicas e promove restrições importantes em comparação aos padrões alimentares convencionais.

De acordo com a nutricionista, a base da alimentação é composta por proteínas magras, frutas, vegetais, sementes, oleaginosas e fontes naturais de gordura. Em contrapartida, diversos grupos alimentares são excluídos ou significativamente reduzidos.

“O que é unânime nesse modelo alimentar é a exclusão de cereais e grãos, como aveia e milho, além de leguminosas, laticínios e alimentos ultraprocessados. A justificativa está relacionada ao padrão alimentar atribuído aos nossos ancestrais, embora já existam evidências de que alguns povos antigos consumiam grãos e leguminosas”, explica.

A proposta da dieta é eliminar alimentos considerados mais recentes na história da alimentação humana e priorizar opções mais naturais. Por isso, muitos adeptos relatam melhora na disposição, redução do consumo de produtos industrializados e uma relação mais consciente com a comida.

Segundo Camila, diversos estudos científicos têm analisado os efeitos desse padrão alimentar e apontado resultados positivos em alguns indicadores de saúde. Entre os benefícios observados estão a perda de peso, a redução do Índice de Massa Corporal (IMC), a diminuição da circunferência abdominal e melhorias em fatores relacionados ao risco cardiovascular.

“A especialista afirma que estudos científicos apontam benefícios da dieta em parâmetros como perda de peso, redução do IMC, melhora da circunferência da cintura e diminuição do risco cardiovascular. Parte desses resultados está associada ao maior consumo de proteínas magras e gorduras de boa qualidade, além da exclusão dos ultraprocessados, que por si só já traz benefícios importantes para diversos indicadores de saúde”, destaca.

Entretanto, embora os resultados possam parecer atrativos, a nutricionista alerta que a retirada de determinados grupos alimentares pode trazer consequências quando a dieta é mantida por longos períodos sem supervisão adequada.

A exclusão de cereais, grãos, leguminosas e laticínios reduz significativamente a oferta de alguns nutrientes essenciais para o organismo. Dependendo da forma como o plano alimentar é estruturado, podem surgir déficits nutricionais capazes de comprometer a saúde e o desempenho físico.

“Por outro lado, Camila diz que o modelo alimentar elimina grupos importantes de alimentos e pode gerar deficiências nutricionais quando adotado por longos períodos. A restrição de leguminosas e de fontes de carboidratos de rápida absorção pode comprometer a ingestão de fibras e nutrientes essenciais. Por isso, a dieta não deve ser vista como uma solução universal nem seguida apenas por estar em evidência”, ressalta.

No caso dos atletas, os cuidados precisam ser ainda maiores. Isso porque o organismo de quem pratica exercícios de alta intensidade possui demandas energéticas muito específicas, principalmente em períodos de treinamento intenso e competições.

Embora alguns esportistas possam apresentar bons resultados com adaptações da dieta paleolítica, a redução do consumo de carboidratos pode representar um desafio para atividades que exigem explosão muscular, resistência e rápida recuperação física. A falta de energia adequada pode impactar diretamente a performance esportiva e aumentar o risco de fadiga.

“Embora alguns esportistas possam se beneficiar da dieta em períodos específicos, especialmente quando o objetivo é controle de peso ou melhora de alguns marcadores metabólicos, a restrição de carboidratos pode afetar negativamente o desempenho em fases de treinamento intenso. Cada planejamento alimentar deve ser individualizado, levando em consideração genética, rotina, objetivos e necessidades nutricionais de cada pessoa”, conclui.

Diante do crescimento da popularidade da dieta paleolítica, especialistas reforçam que não existe uma estratégia alimentar única capaz de atender todas as pessoas da mesma forma. O que funciona para um atleta de alto rendimento pode não trazer os mesmos resultados para outro indivíduo.

Por isso, antes de aderir a qualquer plano alimentar restritivo, a recomendação é buscar orientação de um nutricionista ou profissional de saúde habilitado. Somente uma avaliação individualizada é capaz de determinar quais alimentos e nutrientes são necessários para atender às necessidades específicas de cada organismo, garantindo saúde, bem-estar e desempenho adequado a longo prazo.

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