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Ex-Restart abre o jogo sobre falência e bastidores com o sobrinho João Guilherme: ‘Sem grana’

Músico revelou que faturou bem menos do que o público imaginava e detalhou transição para o mundo dos negócios e bastidores com o sobrinho famoso

Pe Lu, ex-Restat, é irmão de Naira Ávila, mãe de João Guilherme — Foto: Clayton Felizardo/Brazilnews
Pe Lu, ex-Restat, é irmão de Naira Ávila, mãe de João Guilherme — Foto: Clayton Felizardo/Brazilnews

Aos 35 anos, o cantor e produtor Pe Lu abriu o coração e compartilhou um relato emocionante sobre como conseguiu dar a volta por cima após enfrentar uma grave crise financeira com o término da boyband Restart. A banda, que explodiu em todo o país nos anos 2010 com sucessos como Recomeçar e Levo Comigo, deixou um rastro de nostalgia, mas os bastidores para os integrantes foram desafiadores.

Em um desabafo sincero, o artista revelou que precisou se reinventar no mercado de trabalho e mergulhar em negócios fora da música — incluindo a gestão da carreira do próprio sobrinho, o ator João Guilherme, filho de sua irmã, Naira Ávilla, com o cantor Leonardo.

“Quando a Restart terminou, em 2014, eu estava praticamente sem dinheiro por uma série de questões. Primeiro, que a gente ganhou bem menos dinheiro do que as pessoas pensam. Segundo, que eu não tinha noção nenhuma, base nenhuma de investimento, de como guardar o meu dinheiro, então eu fiz um monte de escolhas erradas, comprei apartamento com juros altíssimo, troquei de carro, enfim. Eu estava ali, terminando a banda, sem saber direito o que é que eu ia fazer da minha vida e sem grana”, começou dizendo Pe Lu.

Do glamour dos palcos às reuniões de negócios no shopping

Para conseguir sair do buraco financeiro, o músico precisou investir as últimas economias que restavam em uma nova área com a ajuda da família.

“Peguei a última grana que eu tinha guardado e investi junto com a minha irmã numa clínica de estética, que depois virou uma franquia grande de estética, mas naquele momento era uma loja. Junto com o dinheiro, eu coloquei muito trabalho também. A gente tinha que fazer tudo, a gente cuidava do marketing, da parte comercial, da parte financeira. Então, eu me vi saindo dessa posição de glamour, de sucesso e de fama para de repente ter reunião comercial, tendo que tentar comprar ponto no shopping e negociar coisas que eu nem sabia direito”, acrescentou.

Mesmo trabalhando duro, o julgamento alheio e as cobranças internas pesaram sobre o artista durante as reuniões corporativas:

“Durante uma boa parte desse processo, eu também me sentia mal, como se eu tivesse sido mal sucedido na minha empreitada, então eu fiz uma coisa, eu não consegui sustentar essa coisa no mesmo nível para sustentar minha vida. Isso passava pela minha cabeça e eu me sentia bem fracassado várias vezes.”

Gestão da carreira de João Guilherme por uma década

Conforme a rede de clínicas crescia, Pe Lu assumiu mais um grande compromisso: agenciar os passos artísticos de seu sobrinho, João Guilherme, durante todo o seu processo de consolidação no mercado.

“As clínicas foram crescendo e nesse processo a gente também começou a cuidar da carreira do João Guilherme. Cuidei da carreira dele por 10 anos e, nos primeiros anos era isso, luta, briga, construção para que as marcas conhecessem ele, para que agências conhecessem ele, para que ele tivesse bons papéis. Várias vezes, de novo, eu me senti assim, que alguém me olhava e pensava: ‘Ué, mas você não é o cara da daquela banda?’ O que aconteceu com o seu sucesso?'”, relatou o músico.

Retorno à música com o projeto Selva e lição sobre “fracasso”

Apesar de todas as ocupações empresariais, Pe Lu nunca abandonou a sua verdadeira paixão. Paralelamente às clínicas e aos contratos do sobrinho, ele criou o projeto de música eletrônica Selva.

“É um projeto musical extremamente bem sucedido em milhões de streams, que deu bastante dinheiro para gente durante os anos de existência dele, só que como todo projeto musical, ele demandava tempo. Eu precisei de tempo e grana para que ele rodasso. E eu consegui ter tempo e ter grana porque eu tinha outros projetos e outras coisas paralelas à minha carreira permitindo isso”, explicou.

Hoje, focado em sua trajetória solo, Pe Lu faz questão de usar a sua vivência de altos e baixos para aconselhar novos artistas independentes que enfrentam dificuldades para pagar as contas:

“Por que é que eu estou contando essa essa fofoca? É porque se você é um artista e independente, independente do momento da vida que está, e tem uma outra profissão ou você precisa de um outro negócio para que a sua carreira seja viável, nunca sinta vergonha disso ou nunca se sinta como eu senti lá atrás, o fracassado”, disparou.

“Carreiras demoram para serem construídas. Talvez você consiga chegar lá, consiga ganhar grana da sua carreira e, ainda assim, essa grana pode não ser suficiente para você sustentar sua vida, para você ter o padrão que você quer e você vai seguir tendo outros negócios, outras frentes, e está tudo bem se essa for a sua opção. Mais que isso, está tudo bem você precisar de grana, precisar trabalhar em outros lugares e colocar energia em outros lugares para construir a sua carreira”, concluiu o cantor.

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