Grávida, ex-masterchef Isa Scherer recebe diagnóstico de doença séria
Influenciadora descobriu a infecção no início da gravidez e iniciou tratamento imediato; especialistas esclarecem como ocorre a transmissão da doença e os riscos para o bebê

Grávida do terceiro filho, Isabella Scherer revelou aos seguidores que recebeu o diagnóstico de toxoplasmose nas primeiras semanas de gestação. A doença, que frequentemente não apresenta sintomas ou provoca apenas sinais leves semelhantes aos de uma virose, exige atenção especial durante a gravidez devido ao risco de transmissão para o feto.
A toxoplasmose é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii e pode ser adquirida por meio do consumo de carnes cruas ou malpassadas, alimentos e água contaminados ou pelo contato com solo que contenha fezes de gatos infectados.
Na maioria dos casos, a infecção passa despercebida. Quando surgem, os sintomas costumam incluir febre, fadiga, dores musculares, mal-estar e aumento dos gânglios, principalmente na região do pescoço. Como esses sinais são pouco específicos, a identificação da doença durante a gravidez costuma ocorrer por meio dos exames realizados no pré-natal.
Embora a infecção possa causar complicações oculares e neurológicas no bebê, o diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento rapidamente, reduzindo significativamente as chances de transmissão.
Segundo a ginecologista e obstetra Carla Celestrino Arca, o fato de a gestante entrar em contato com o parasita não significa, necessariamente, que ela será infectada ou que o bebê será contaminado.
“A mulher entrar em contato com o toxoplasma não significa que ela vai se infectar e, se ela se infectar, nem sempre o bebê também é acometido. Muitas vezes a placenta funciona como um filtro contra infecções e, quando identificamos a doença cedo, conseguimos reduzir a transmissão com medicamentos. Mesmo quando isso não é possível, existe tratamento para o bebê”, afirma ao g1.
O diagnóstico de Isabella Scherer
A influenciadora contou que descobriu a toxoplasmose por volta da décima semana de gravidez.
O diagnóstico foi confirmado por meio da sorologia para toxoplasmose, exame recomendado pelo Ministério da Saúde logo no primeiro trimestre — ou na primeira consulta do pré-natal — para verificar se a gestante já teve contato com o parasita ou se existe uma infecção recente.
Carla Celestrino explica que esse exame de sangue é indispensável para identificar a condição e ressalta que novas coletas podem ser necessárias ao longo da gestação.
“Não tem como saber se a mulher já teve ou não toxoplasmose apenas pela avaliação clínica. Por isso, todas as gestantes são triadas com exame de sangue durante o pré-natal”, diz.
De acordo com Isabella, o tratamento começou imediatamente após o diagnóstico e, posteriormente, exames confirmaram que o bebê não havia sido infectado.
Sem conseguir apontar exatamente como ocorreu a contaminação, a influenciadora afirmou que evitava alimentos crus durante a gravidez. A hipótese levantada pela médica foi de uma exposição indireta por meio dos filhos mais velhos, que costumam brincar em parques com caixas de areia frequentadas por gatos de rua.
Como acontece a transmissão
Apesar da associação frequente com gatos, a transmissão da toxoplasmose nem sempre ocorre por contato direto com os animais.
Depois de eliminado nas fezes de felinos infectados, o parasita pode permanecer no ambiente e contaminar o solo. A partir daí, ele pode atingir frutas, verduras e legumes cultivados na terra, além de animais como bovinos, suínos e aves. Quando carnes contaminadas são consumidas cruas ou malpassadas, o ciclo da doença pode alcançar os seres humanos.
Durante a gravidez, os principais cuidados são:
- evitar consumir carne crua ou malpassada;
- lavar muito bem frutas, verduras e legumes;
- higienizar as mãos após manipular alimentos crus;
- utilizar luvas ao mexer com terra, hortas ou jardinagem.
Por que a toxoplasmose preocupa na gravidez
Quando a infecção é detectada rapidamente, a gestante inicia um tratamento com o objetivo de diminuir o risco de transmissão para o bebê.
Nos casos em que existe suspeita ou confirmação de infecção recente, a equipe médica pode indicar uma amniocentese para investigar a presença do parasita no líquido amniótico. Conforme o protocolo do Ministério da Saúde, o procedimento é realizado após a 18ª semana de gestação e pelo menos quatro semanas depois da provável infecção.
Caso o exame confirme a infecção fetal, o tratamento é ajustado com medicamentos específicos. Se o bebê não estiver infectado, a gestante mantém o esquema terapêutico inicial até o fim da gravidez.
No caso de Isabella Scherer, a influenciadora informou que a punção confirmou que o bebê não foi contaminado.
Outro fator importante é o período da gestação em que ocorre a infecção. Nas primeiras semanas, quando a placenta ainda está em formação, a transmissão para o feto é menos frequente. Com o avanço da gravidez, esse risco aumenta.
A ginecologista e obstetra Carol Ambrogini destaca ao g1 a importância do acompanhamento pré-natal.
“É mais frequente do que a gente pensa. No início da gestação o risco é menor porque tem menos conexão do sangue da mãe com o sangue do bebê, a placenta ainda é muito rudimentar. Mas, à medida que a gravidez progride, essas chances aumentam. Por isso, é muito importante fazer o pré-natal, ter um acompanhamento, para evitar uma complicação.”
Gatos domésticos não costumam ser os principais responsáveis
O relato de Isabella também reacendeu uma dúvida comum entre gestantes: é necessário se desfazer do gato de estimação?
Segundo Carol Ambrogini, a resposta é não.
O felino só elimina o parasita quando está infectado, situação que normalmente ocorre após caçar e ingerir presas contaminadas, como aves e roedores. Gatos que vivem exclusivamente dentro de casa, alimentam-se apenas de ração e não têm acesso à rua apresentam um risco muito menor.
Já os gatos que circulam livremente em ambientes externos participam do ciclo de contaminação do solo. Por isso, os especialistas reforçam que os principais cuidados devem estar voltados para a correta higienização dos alimentos e para evitar contato com terra potencialmente contaminada, e não apenas com a presença de um gato doméstico.
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