Messi tem autismo? Entenda a origem do boato que voltou a causar alvoroço na internet
Com a participação da Argentina na Copa do Mundo de 2026, uma antiga desinformação sobre o craque argentino voltou a ganhar espaço nas redes sociais

Com a Argentina novamente em destaque na Copa do Mundo de 2026, uma antiga fake news envolvendo Lionel Messi voltou a circular nas redes sociais. A falsa informação de que o astro argentino teria sido diagnosticado com autismo reapareceu entre publicações e comentários de torcedores, mesmo sem qualquer confirmação oficial ou evidência que sustente a afirmação.
O rumor de que Messi teria autismo começou a ganhar força na internet por volta de 2013 e, desde então, foi repetido diversas vezes em diferentes plataformas. Ao longo dos anos, a história chegou a ser mencionada até por personalidades do futebol, como Christophe Dugarry, campeão mundial com a seleção francesa em 1998, o que contribuiu para ampliar a repercussão do boato.
Apesar da circulação constante da informação, pessoas próximas ao jogador e profissionais que acompanharam sua trajetória sempre negaram a existência desse diagnóstico. O médico Diego Schwartzstein, que acompanhou Messi durante a infância e a adolescência, afirmou em entrevista ao UOL que a afirmação não procede e classificou a história como “bobagem”.
A versão mais divulgada da fake news afirmava que o atacante teria sido diagnosticado com autismo nível 1, uma condição dentro do transtorno do espectro autista (TEA). Em algumas publicações, o boato também utilizava o termo “Síndrome de Asperger”, nomenclatura que deixou de ser utilizada oficialmente em classificações médicas mais recentes.
Uma das origens atribuídas à disseminação da história foi um texto publicado pelo escritor e jornalista brasileiro Roberto Amado. Na época, ele afirmou que Messi poderia ter autismo nível 1 e tentou relacionar características pessoais e comportamentais do jogador ao transtorno.
Especialistas se manifestam
Entre os supostos “indícios” citados estavam a timidez do atleta em entrevistas, seu comportamento mais reservado fora dos campos e até características relacionadas ao seu estilo de jogo, como a forma repetitiva de realizar determinados dribles e finalizações.
No entanto, especialistas ressaltam que esses elementos isolados não são suficientes para determinar um diagnóstico. Características como concentração, preferência por rotinas, personalidade mais discreta ou um modo específico de executar tarefas podem fazer parte da individualidade de qualquer pessoa e não significam, por si só, a presença de uma condição neurológica.
Durante grandes eventos esportivos, especialmente em Copas do Mundo, também costumam surgir publicações que tentam explicar o talento extraordinário de Messi associando-o à ideia de que ele seria um “gênio autista”. Embora pareçam elogiosas, especialistas alertam que esse tipo de abordagem pode reforçar estereótipos prejudiciais.
A romantização do autismo, segundo profissionais da área, cria uma visão equivocada de que pessoas autistas possuem necessariamente habilidades extraordinárias ou que a condição está ligada diretamente à genialidade. Essa percepção pode apagar as diferentes realidades vividas por pessoas com transtorno do espectro autista e dificultar a compreensão sobre suas necessidades.
Além disso, especialistas destacam que associar sucesso, inteligência ou desempenho excepcional ao autismo pode gerar outro problema: a falsa impressão de que pessoas autistas não precisam de suporte, inclusão ou políticas públicas.
A trajetória de Messi, marcada por disciplina, talento, treinamento intenso e conquistas históricas no futebol, continua sendo analisada mundialmente por sua excelência esportiva. No entanto, a tentativa de atribuir características pessoais ou supostos diagnósticos ao jogador sem confirmação médica reforça a importância de combater informações falsas e tratar temas relacionados à saúde com responsabilidade.
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