Morre Claudia Savaget aos 78 anos cantora ícone da MPB
Quem foi Claudia Savaget? Conheça a carreira da cantora que encantou Cartola e a MPB

A música popular brasileira perdeu uma de suas vozes mais marcantes com a morte de Claudia Savaget, aos 78 anos. Dona de um timbre grave e reconhecida pela interpretação refinada de clássicos da MPB, a artista faleceu na segunda-feira (13). A notícia foi confirmada pelo marido da cantora, o violonista Luiz Otávio Braga, por meio de uma publicação nas redes sociais. Sem revelar a causa da morte, ele se despediu da companheira com uma mensagem emocionante: “Comunico aos amigos e amigas da minha amada Cláudia o seu desaparecimento, ontem, às 17 horas, depois de longo padecer.” Nascida em Petrópolis (RJ), em 1º de julho de 1948, Claudia Savaget construiu uma carreira marcada pela elegância e pela fidelidade à essência da música brasileira.
A trajetória artística de Claudia Savaget começou ainda na juventude, quando se apresentava na boate Clube 85, em sua cidade natal. Ao longo de aproximadamente 30 anos, lançou apenas cinco álbuns, entre 1974 e 2004, mas deixou um repertório considerado de grande qualidade. Seu disco de estreia, “Impacto” (1974), já reunia composições de nomes como Chico Buarque, Edu Lobo e Torquato Neto. Vieram depois “Samambaias” (1978), “Mordida ou Beijo” (1979), o álbum “Claudia Savaget” (1985) e, por fim, “Caminhando” (2004). Ao longo da carreira, também gravou obras de Dorival Caymmi, Antonio Carlos Jobim, Paulinho da Viola e José Carlos Capinan, consolidando uma discografia enxuta, mas respeitada entre admiradores da MPB.
Voz marcante e legado na MPB
Um dos maiores reconhecimentos recebidos por Claudia Savaget veio de Cartola, que, segundo relatos da década de 1970, costumava dizer que ela era sua cantora favorita. A artista interpretou diversas composições do sambista e conquistou reconhecimento por imprimir personalidade própria a cada gravação. Embora críticos apontassem semelhanças entre sua voz e as de Nora Ney e Nana Caymmi, Claudia Savaget desenvolveu um estilo singular, marcado pela interpretação delicada e pela escolha criteriosa do repertório. Um dos momentos mais simbólicos de sua carreira aconteceu em “Samambaias”, quando gravou “Maninha”, de Chico Buarque, como homenagem à irmã, que havia sido presa durante a ditadura militar.
Com a mudança no mercado fonográfico a partir da década de 1980, Claudia Savaget acabou se afastando dos grandes holofotes, retornando apenas em 2004 com o álbum “Caminhando”. Apesar da longa ausência, sua obra permaneceu valorizada entre músicos, pesquisadores e admiradores da MPB. Os cinco discos lançados ao longo de sua carreira são lembrados pela sofisticação dos arranjos, pela seleção de canções e pela identidade vocal inconfundível da cantora.
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