Netinho de Paula denuncia racismo contra o neto em escola: ‘Triste e desmotivado’

Cantor Netinho de Paula denuncia ataques racistas contra o neto de 16 anos em escola de São Paulo

Netinho de Paula - Reprodução/ Instagram
Netinho de Paula - Reprodução/ Instagram

O cantor Netinho de Paula usou as redes sociais no último sábado, 20/06, para denunciar uma situação envolvendo o neto, Artur Signoreti. O adolescente de 16 anos foi vítima de ataques racistas na escola onde frequenta no condomínio Alphaville Tamboré, em Santana do Parnaíba, área nobre do estado de São Paulo.

Meu nome é José de Paula Neto, conhecido como Netinho de Paula. Cantor, apresentador, político e, acima de tudo, um ativista racial que há décadas luta contra o racismo estrutural neste país. Venho a público, desta vez não como artista ou político, mas como avô do Arthur Singnoreti, um jovem de 16 anos, aluno do Colégio Tom Jobim, em Santana de Parnaíba, que foi covardemente atacado por uma colega de escola em uma rede social“, iniciou ele.

Em seguida, Netinho compartilhou prints dos ataques. “O print anexo, com as falas ‘O Arthur nasceu!!’ e ‘Ela tem bigode’, seguidas de uma figurinha debochada, pode parecer ‘brincadeira’ para alguns. Mas, para nós, que conhecemos o peso da cor da pele nesta sociedade, isso é racismo recreativo. É a perpetuação de um estereótipo que desumaniza, ridiculariza e fere a alma de um menino que, assim como tantos outros, é fruto de um relacionamento inter-racial e carrega em si a beleza e a força da cultura negra”, declarou.

“Triste, desmotivado e exposto”

Netinho revelou que Arthur não está bem. “Arthur está triste, desmotivado e se sentindo exposto. E não é para menos. Em um colégio onde existem pouquíssimos alunos negros, o silêncio da escola e a omissão da sociedade pesam ainda mais“, relatou.

“À Direção do Colégio Tom Jobim e à Secretaria Municipal de Educação: não basta um comunicado interno. Exijo uma postura firme e pública. Arthur deve ser acolhido psicologicamente e o caso deve ser registrado formalmente na ata da escola. A aluna agressora e seus responsáveis devem ser notificados. O crime de racismo é inafiançável e imprescritível. Comuniquem imediatamente os órgãos competentes para apuração dos fatos. Não adianta apenas punir. É preciso educar. Exijo a implementação imediata de um projeto antirracista permanente, com valorização da cultura afro-brasileira e a capacitação de todos os professores”, pontuou.

Na figurinha supostamente compartilhada pela colega de sala de Arthur, uma mulher está fazendo a ultrassonografia de seu bebê na gestação. Na tela, aparece a imagem de um urubu. “Aos órgãos da sociedade civil de Santana de Parnaíba, peço que acompanhem este caso e promovam o debate sobre a intolerância racial no ambiente escolar. E ao meu neto, Arthur: meu querido, você não está sozinho. A tristeza que você sente é legítima, mas ela não pode te paralisar. Sua identidade é motivo de orgulho. Você é a prova viva de que o amor vence barreiras. O erro é de quem praticou o racismo, nunca seu”, concluiu Netinho de Paula.

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