Pai de Henry Borel critica soltura de Monique Medeiros e detona decisão da Justiça

Leniel Borel afirmou que o resultado do julgamento não trouxe a responsabilização que esperava e disse que a sentença representa uma injustiça com o filho e outras vítimas de violência infantil

Leniel Borel (Reprodução/Globo)
Leniel Borel (Reprodução/Globo)

A decisão que resultou na liberdade de Monique Medeiros continua sendo motivo de profunda revolta para Leniel Borel. Pai de Henry Borel, menino que morreu em 2021 em um caso que chocou o Brasil, ele voltou a se manifestar publicamente sobre o desfecho do processo e afirmou não concordar com a forma como a Justiça tratou a participação da ex-esposa nos acontecimentos que culminaram na morte do filho.

Em entrevista ao programa “Fantástico”, da TV Globo, exibida neste domingo (7), Leniel falou sobre sua indignação diante da sentença e revelou que, apesar dos anos que se passaram desde a tragédia, ainda considera que a responsabilização de Monique esteve muito aquém da gravidade dos fatos apurados durante as investigações.

Durante a conversa, o engenheiro relembrou como enxergava a ex-esposa nos primeiros momentos após a morte de Henry. Segundo ele, inicialmente acreditava que Monique estivesse vivendo sob influência ou controle de Jairinho e que, por esse motivo, não conseguia relatar tudo o que sabia às autoridades.

“O que eu achei, eu falei: ‘Opa, ela está sendo comedida, retraída, em cárcere privado e impedida de falar’. Era isso que eu achava, né? Eu imaginava que ela poderia estar protegendo o assassino do filho dela. Eu não imaginava! Porque o meu exemplo de mãe é a minha mãe. Eu não conseguia imaginar que uma mãe pode matar um filho”.

Leniel explicou que sua percepção começou a mudar conforme as investigações avançaram e novas provas foram reunidas ao longo do processo. Segundo ele, a análise dos depoimentos, laudos e demais elementos apresentados pela acusação fez com que passasse a enxergar a situação de maneira completamente diferente daquela que imaginava no início.

Na avaliação do pai de Henry, Monique teria deixado de revelar informações importantes relacionadas às agressões que o menino sofreu antes de morrer. Para ele, a ex-esposa ainda evita reconhecer plenamente o que aconteceu e qual era seu conhecimento sobre os episódios de violência.

“Pra mim, a mudança aconteceu, na minha opinião, quando eu começo a olhar os fatos, olhar tudo o que aconteceu, com as provas que a gente tinha. A Monique atua até hoje para esconder as agressões que o filho dela sofreu e recebeu. Ela nunca fala que realmente o Jairo agrediu, que ela sabia das agressões”.

O caso ganhou repercussão nacional desde o início das investigações e foi acompanhado de perto pela opinião pública. Após o julgamento, Monique Medeiros foi condenada a 1 ano e 4 meses de detenção por omissão em relação às agressões sofridas por Henry. Como ela já havia permanecido presa preventivamente durante parte do andamento do processo, a Justiça considerou a pena integralmente cumprida.

Além disso, os jurados afastaram a acusação de homicídio doloso. Em relação à acusação de homicídio culposo, a magistrada responsável pelo caso concedeu perdão judicial. Dessa forma, Monique deixou a prisão após a conclusão do julgamento.

Já Jairinho recebeu uma condenação muito mais severa. Ele foi sentenciado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.

Ao comentar o resultado final, Leniel fez o relato mais emocionante e contundente da entrevista. Demonstrando tristeza e inconformismo, ele afirmou que não considera que a Justiça tenha sido plenamente feita no caso do filho.

“Não houve justiça pelo Henry. Não ver a Monique sendo condenada na mesma proporção… Porque, para mim, eu, Leniel, como pai, o Jairo é perverso, terrível, um monstro, sádico. Mas a Monique é muito pior, porque ela é mãe. Nós não esperamos, eu não esperava, que uma mãe não protegesse o filho dela. Então, quando eu vejo essa decisão, é uma injustiça muito grande com o Henry e com todas as crianças deste país que estão perdendo a sua vida”.

A declaração resume o sentimento que Leniel diz carregar desde a morte do filho. Mesmo após anos de investigações, audiências e julgamentos, ele continua defendendo que a responsabilização dos envolvidos deveria ter ocorrido de forma diferente. Para o pai de Henry, a dor da perda permanece acompanhada da sensação de que o menino não recebeu a justiça que merecia.

Desde a tragédia, Leniel transformou sua luta pessoal em uma causa pública, participando de debates e defendendo medidas voltadas ao combate à violência contra crianças. Em diversas ocasiões, ele afirmou que seu objetivo é evitar que outros casos semelhantes aconteçam e manter viva a memória do filho.

Mais de cinco anos após a morte de Henry Borel, o caso segue despertando forte comoção nacional e continua sendo lembrado como um dos episódios de maior repercussão da história recente do país. Enquanto o processo judicial chega ao fim, a discussão sobre proteção infantil, responsabilidade familiar e combate à violência contra crianças permanece em evidência.

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