Grave? Influenciadora faz alerta após descobrir complicação anos depois de procedimento estético

Influenciadora revelou ter desenvolvido uma inflamação anos após o procedimento, enquanto especialistas explicam os riscos do PMMA e alertam para as possíveis consequências do uso do produto

Ju Isen — Foto: Divulgação/CO Assessoria
Ju Isen — Foto: Divulgação/CO Assessoria

A influenciadora Ju Isen revelou nas redes sociais que precisou ser internada após desenvolver uma inflamação relacionada ao PMMA (polimetilmetacrilato), substância aplicada em seu corpo durante um procedimento estético realizado em 2021. O relato chamou a atenção dos seguidores e reacendeu o debate sobre os riscos do uso desse material, considerado por especialistas uma das opções mais problemáticas para preenchimentos permanentes.

Ao contar sobre o problema, Ju explicou que passou por diversos exames até descobrir a origem da complicação.

“Fiz todos os exames possíveis, inclusive ressonância, e fui diagnosticada com inflamação devido ao produto PMMA, que eu coloquei em 2021. Gente, esse produto é uma bomba-relógio. Pode ser que demore 10 anos, pode ser que nunca suceda nada, ou pode ser que aconteça 5 anos depois como foi o meu caso”, relatou a influenciadora.

O PMMA, ou polimetilmetacrilato, é um material sintético e permanente que, embora ainda possa ser utilizado em situações médicas bastante específicas, não é recomendado por especialistas como preenchedor para fins estéticos devido ao elevado risco de complicações. Como o organismo não absorve a substância, eventuais reações podem surgir muito tempo depois da aplicação e, em muitos casos, são difíceis de tratar.

A dermatologista Dra. Sylvia Ypiranga, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP), explica que o material pode desencadear problemas graves.

“Trata-se de um material sintético, definitivo e não absorvível pelo organismo. Entre as complicações associadas ao PMMA estão nódulos, processos inflamatórios, infecções por micobactérias, granulomas, necrose de tecido e até insuficiência renal e risco de morte por hipercalcinose”, afirma.

A dermatologista Dra. Elizabeth Senra, também integrante da SBD-RESP, lembra que o PMMA chegou a ganhar espaço na medicina estética por oferecer um resultado permanente e apresentar custo relativamente baixo. Entretanto, o aumento do número de estudos científicos e de relatos clínicos fez com que os riscos passassem a ser mais conhecidos.

“No entanto, com o avanço da medicina estética e o acúmulo de estudos clínicos ao longo dos anos, ficou evidente que, apesar de inicialmente parecer seguro, o uso do PMMA estava associado a complicações graves e de difícil manejo, muitas vezes tardias e imprevisíveis”, explica.

Segundo a especialista, um dos maiores problemas está justamente no fato de a substância permanecer no organismo por toda a vida.

“O principal risco está justamente na permanência da substância no organismo, o que impede reversão simples em caso de reação adversa. Em muitos casos, a remoção completa é inviável e as sequelas podem ser permanentes”, alerta.

Hoje, a medicina estética dispõe de opções consideradas mais seguras, como o ácido hialurônico, que é biocompatível e absorvido gradualmente pelo organismo.

“O ácido hialurônico, substância mais utilizada em preenchimentos, é absorvido pelo organismo, mas, a depender do ácido hialurônico injetado, pode durar anos na pele”, explica a Dra. Sylvia.

Ainda assim, as especialistas alertam que muitos pacientes desconhecem exatamente qual produto está sendo aplicado ou acabam sendo atraídos por promessas de resultados rápidos e definitivos.

“Muitas pessoas acabam vulneráveis emocionalmente e procuram soluções milagrosas sem compreender os riscos reais. Além disso, alguns profissionais ainda vendem o PMMA como algo seguro e definitivo. Mas estética exige previsibilidade, naturalidade e possibilidade de correção. O rosto e o corpo mudam com o tempo. Perdemos gordura, colágeno, sustentação, passamos por alterações hormonais, emagrecimento e envelhecimento natural. O PMMA não acompanha essas mudanças”, ressalta a Dra. Elizabeth Senra.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo orienta que, antes de realizar qualquer procedimento estético, o paciente procure informações detalhadas sobre a substância que será utilizada, questione os riscos, a possibilidade de reversão e confirme se o profissional é médico regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina (CRM) e possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE).

A Dra. Sylvia reforça que, embora médicos habilitados possam realizar procedimentos estéticos, optar por especialistas em Dermatologia ou Cirurgia Plástica representa uma camada adicional de segurança.

“Apesar de médicos regularmente inscritos no CRM poderem realizar procedimentos médicos pela legislação atual, é recomendado optar por especialistas com título pela Sociedade Brasileira de Dermatologia ou pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. A residência médica, seguida da obtenção do RQE, proporciona treinamento técnico, experiência em manejo de complicações e desenvolvimento de pensamento crítico para indicar ou contraindicar procedimentos”, conclui.

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