Pastor Márcio Poncio é preso pela Polícia Federal
Operação da PF prende Márcio Poncio e amplia apuração sobre a chamada ‘Máfia do Cigarro’

A quinta fase da Operação Unha e Carne, realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (2), colocou novamente em evidência uma investigação que apura supostas conexões entre organizações criminosas e agentes públicos no Rio de Janeiro. Entre os alvos da ação está o pastor e empresário Márcio Poncio, preso em um flat localizado na Barra da Tijuca. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou outros mandados de prisão e 14 ordens de busca e apreensão. De acordo com os investigadores, esta etapa busca aprofundar apurações relacionadas a possíveis esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao jogo do bicho e à chamada “Máfia do Cigarro”. Segundo a Polícia Federal, a ação “busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ”.
Conhecido nas redes sociais e líder da Igreja da Nuvem, Márcio Poncio é pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Conforme apuração do g1, ele é investigado por supostas ligações com a organização criminosa associada ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado pelas autoridades como uma das figuras centrais do esquema. Além das prisões, a decisão judicial determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões. A investigação está inserida no contexto das medidas determinadas pelo STF na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que prevê o aprofundamento de investigações sobre grupos criminosos e suas possíveis conexões com agentes públicos.
Defesas contestam acusações e aguardam acesso ao processo
As defesas dos investigados reagiram às medidas adotadas pela operação. O advogado de Márcio Poncio, Leandro Mendonça, afirmou que ainda não teve acesso ao conteúdo do processo. “O que posso informar é que ele se encontra na Superintendência da Polícia Federal e que, até o presente momento, não tivemos acesso aos autos do processo, fato que nos impede de conhecer os fatos e os fundamentos que levaram à decretação de sua prisão preventiva”, declarou. Já os representantes de Adilsinho negaram qualquer irregularidade e afirmaram: “A defesa do empresário Adilson Oliveira Coutinho Filho rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos. A defesa confia no Poder Judiciário e no devido processo legal.” O ex-deputado Marco Antônio Cabral, também alvo de busca e apreensão, negou envolvimento em crimes e declarou que colaborou integralmente com as autoridades.
A nova etapa da Operação Unha e Carne surgiu a partir de desdobramentos de investigações anteriores, que identificaram planilhas contendo registros de supostos pagamentos, doações eleitorais e movimentações financeiras consideradas suspeitas. Segundo os investigadores, esses documentos indicariam possíveis repasses a agentes políticos do estado. O caso ganhou ainda mais repercussão após declarações do ministro Gilmar Mendes, que afirmou ter recebido relatos sobre a existência de parlamentares beneficiados por recursos provenientes do jogo do bicho.
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