Em entrevista à Contigo! Novelas, Bárbara Bruno fala sobre a experiência de ser dirigida pela filha, Vanessa Goulartt, em um novo espetáculo
Bárbara Bruno é dirigida pela filha Vanessa Goulartt no espetáculo Gertrude, Alice e Picasso. Em entrevista à Contigo! Novelas, as duas trocam detalhes da experiência em família em uma entrevista cheia de carinho e admiração.
Como é revisitar o mesmo personagem dez anos depois, no caso Gertrude Stein?
"É um presente ou um privilégio que a profissão nos dá, quantas vezes na vida a gente não repete essa frase: “Se eu soubesse disso naquela época teria feito assim ou assado”. Posso rever a personagem com mais maturidade, mais capacidade, sabedoria, isso não é toda profissão que oferece para a gente".
Como foi ser dirigida pela filha?
"Prefiro responder a essa pergunta da seguinte maneira: ser dirigida por Vanessa Goulartt foi uma surpresa agradável. Ela é uma diretora competente, com olhar crítico muito preciso, uma análise cênica precisa e uma inteligência cênica fantástica, então foi um prazer profissional enorme. Por coincidência, ela é minha filha. Quando fecha o pano a gente fica babando".
Como a vivência profissional transforma a relação pessoal e vice-versa?
"Nossa profissão propicia que a gente vivencie muitas vidas, e possibilita que nós experimentemos coisas e sensações que, normalmente, você não experimentaria normalmente na sua vida. Isso te direciona ao não julgamento e isso influencia muito em sua vida pessoal e, conforme o tempo passa, uma coisa vai se entrelaçando na outra, o que é muito bonito".
Quais pontos do espetáculo são fundamentais nas discussões contemporâneas?
"Gertrude, Alice e Picasso são três personalidades muito fortes e ricas, principalmente em seus questionamentos. Acho fundamental no espetáculo a atemporalidade. Porque faz parte da essência desses personagens essa inquietude, essa busca constante pelo conhecimento, isso para mim é fundamental".
O que te motivou a remontar a peça dez anos depois?
"O que me motivou tem a ver com a resposta anterior, é essa inquietação que não para nunca. Espero que daqui a cinco, dez anos, seja montado novamente por outros grupos, porque esses personagens são essenciais para a sociedade".
O que te surpreendeu na direção?
"O que me surpreendeu foi o prazer que tive na direção, não imaginava que seria tão prazeroso e instigante dirigir um espetáculo".
Como é lidar com os atores?
"É muito interessante, o fato de também ser atriz acredito que facilite a nossa troca. Tive muita sorte com os três atores que dirigi, extremamente talentosos, criativos e generosos, um prato cheio para todo diretor".
A direção te conquistou?
"Com certeza, gostei mais do que achei que fosse gostar, a experiência me surpreendeu muito. Então, acredito que um namoro se iniciou, vamos ver os desdobramentos desse relacionamento".
Acha que a direção vai influenciar o seu trabalho como atriz daqui pra frente?
"Sem dúvida, a direção te dá uma visão ampla, uma consciência cênica total, creio que essa consciência deixará meu trabalho como atriz mais maduro e mais potente".
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