Novo lançamento da Netflix, série ‘Adolescência’ aborda temas fundamentais nesta fase da vida; especialistas comentam o assunto
Publicado em 28/03/2025, às 13h17
A adolescência é uma fase complexa, marcada por descobertas, formação de identidade e vulnerabilidades emocionais, especialmente quando vivida sob o olhar constante das redes sociais. A série ‘Adolescência’, lançamento da Netflix, traz à tona os dilemas dos jovens contemporâneos com uma linguagem sensível e direta.
Enquanto isso, é possível observar uma constante mudança nas redes. Desde o ano passado, o Instagram, por exemplo, implementou novas políticas de segurança, privacidade e envolvimento dos pais em contas de pessoas menores de 18 anos. Esses cuidados trazem à tona debates sobre os principais dilemas da adolescência contemporânea, que foram comentados por especialistas sobre o assunto.
A adolescência é considerada uma fase de transição da infância para a vida adulta, trazendo consigo mudanças no corpo, nos comportamentos e nas relações. Por isso, não é incomum surgirem problemas com autoestima e identidade. Segundo Thais Requito, especialista em desenvolvimento humano e produtividade sustentável, a hiperexposição digital potencializa questões que já são complexas na adolescência, incluindo o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e interpessoais.
"Se comparar com quem está ali na sua escola, no seu bairro, com pessoas que têm uma realidade mais ou menos parecida com a sua, já é desafiador. Mas, quando a gente fala de redes sociais, a gente está ampliando bastante o acesso à informação. Então, além de toda essa fragmentação de atenção, essa dificuldade de foco, essa distração constante — que já causa mais ansiedade, um estresse mais predominante —, a gente também tem os jovens se comparando com pessoas que estão do outro lado do mundo e, talvez, adotando comportamentos ou estilos, modos de pensar e formas de se relacionar com a vida que não são compatíveis com aqueles valores que estão sendo ensinados ali na casa dele, na escola dele”, refletiu.
“E acabam, muitas vezes, tendo acesso a conteúdos que não favorecem um desenvolvimento saudável. Buscam essa validação por likes, curtidas, engajamento nas redes sociais, e perdem a oportunidade de desenvolver as habilidades olho a olho, né?”, pontuou.
Ângelo Vieira, especialista em marketing, inovação e experiência do consumidor, ressalta que os algoritmos online têm um papel essencial na forma como os adolescentes descobrem, interagem e consomem produtos e serviços atualmente
“Plataformas digitais como, por exemplo, TikTok, Instagram e YouTube utilizam sistemas de recomendação baseados em inteligência artificial para entender preferências individuais e maximizar o tempo de engajamento. Isso significa que adolescentes não apenas recebem conteúdo alinhado aos seus interesses, mas também são expostos repetidamente a tendências, influenciadores em evidência e marcas de maneira altamente personalizada”, explicou.
“Para as marcas, essa dinâmica representa uma oportunidade e um desafio. Por um lado, campanhas altamente segmentadas permitem um alcance mais preciso e conversões mais eficazes. No entanto, há riscos significativos, como o estímulo ao consumismo excessivo e a criação de padrões inalcançáveis de estilo de vida e aparência. Diante disso, empresas que buscam uma abordagem ética devem considerar práticas responsáveis no design e na divulgação de suas campanhas. Isso inclui transparência sobre o uso de algoritmos, limitação de publicidade excessiva para menores de idade e incentivo ao consumo consciente”, aconselha.
Lucas Rodrigues, gerente de comunicação da Leste Telecom, pontua que, quando falamos em segurança digital para crianças e adolescentes, o risco não está apenas no conteúdo publicado, mas na forma como o conteúdo chega até eles. “Perfis abertos, sem filtros ou configurações de privacidade, deixam esses jovens mais expostos a abordagens indesejadas, golpes, conteúdo impróprio e até a práticas de manipulação emocional”, alerta.
“Do ponto de vista da infraestrutura, isso significa que a conexão precisa ir além da entrega de internet rápida. Ela precisa oferecer caminhos para que as famílias possam configurar filtros, limitar o acesso em horários específicos ou até monitorar atividades de forma educativa e não invasiva. A tecnologia já permite esse tipo de suporte, mas ainda é pouco explorada”, ressalta.
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