Remake da Globo uniu história de 1990 com tecnologias modernas para construir trama que virou sucesso nacional
Publicado em 28/03/2025, às 07h30
Em 28 de março de 2022, há três anos, a Globo estreava uma nova versão de Pantanal, sucesso da Manchete, como sua nova novela das nove. O remake da trama que marcou a extinta emissora de televisão ficou sob responsabilidade de Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa, novelista original. Para a nova versão, a emissora usou tecnologia de Hollywood que trouxe naturalidade para reprodução de algumas cenas com animais selvagens.
Segundo o jornalista Nilson Xavier, do Teledramaturgia, apesar da nova versão de Pantanal se aproximar de problemas da atualidade, Luperi manteve um apego exagerado com o texto original, o que rendeu a repetição de alguns problemas que marcaram a primeira montagem da novela.
O adaptador se desafiou ao inserir debates como a preservação ambiental e se aprofundar em discussões já tratadas no conteúdo original, como o machismo, a homofobia e a complexa problemática da luta pela posse de terras, mas não teve a mesma capacidade para adaptar tramas que não fizeram sentido na versão de Benedito.
Xavier destaca, por exemplo, a lentidão que se fixa ao texto na metade da novela em diante e a saída de alguns personagens pontuais - na primeira versão, motivadas pela necessidade dos atores em abandonar as gravações. Sem desejo de ousar, Luperi repetiu as saídas e explicações elaboradas pelo avô em 1990.
O apego com o texto, entretanto, não se repetiu em outros setores da produção. A equipe de arte e produção investiu em diversos meios complexos para entregar uma novela mais realista e imersa na natureza.
O Teledramaturgia destaca que, ainda que alguns animais em cenas fossem reais, a equipe de produção usou tecnologia de Hollywood para reproduzir alguns animais graficamente. A modelegem 3D foi um recurso recorrente, assim como a rotoscopia - técnica que captura uma imagem de vídeo e a usa como referência para produzir novos quadros - e a computação gráfica.
Mesmo com os problemas do original, a versão de Luperi repetiu o feito da novela do avô e foi um grande sucesso nacional. Personagens e falas entraram no dia a dia do povo e as redes sociais acompanharam com atenção o desenrolar da trama principal e dos personagens paralelos, como Maria Bruaca, interpretada de forma brilhate por Isabel Teixeira.
O sucesso de Pantanal abriu um novo caminho para a Globo, que deste então passou a investir em novos remakes e novelas fora do eixo Rio-São Paulo. Depois dessa primeira empreitada, a emissora lançou uma versão atualizada de Renascer e se prepara para estrear uma outra trama considerada por muitos como seu maior sucesso: Vale Tudo, que chegou pela primeira vez nas telinhas em 1988 e agora conta com Manuela Dias como adaptadora.
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